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“Piracaia está cansada de ser explorada sem receber nada em troca”, desabafou o presidente da Câmara em Fórum Temático.
28/03/2012


 
O que seria apenas uma apresentação de programas de educação ambiental – por uma empresa terceirizada da Petrobrás, tornou-se uma grande válvula de escape para que os piracaienses apelassem por investimentos no município.  
O Fórum Temático do Programa de Educação Ambiental do Gasoduto Campinas-Rio (PEA-GASCAR), realizado nessa última quinta-feira (22), nas dependências do Centro Esportivo Municipal, abordou como tema “O Gasoduto e sua relação com o Entorno”, e serviu para que as autoridades e a população se manifestassem de modo a pleitear projetos para Piracaia. 
O evento contou com a presença da prefeita Fabiane Santiago (PV), do presidente da Câmara Prof. Wanderley de Oliveira (DEM), dos representantes da Transpetro – Petrobrás, da equipe técnica da Katu Gente & Ambiente, além de ambientalistas, educadores e líderes comunitários de Piracaia e região. 
Após a apresentação do programa, foi dada a palavra aos presentes. E em tom polêmico, o presidente da Câmara discursou demonstrando inconformidade com a falta de compensações por parte das empresas que exploram os recursos naturais do município. “Piracaia está cansada de ser explorada sem receber nada em troca. Está na hora de exigirmos investimentos significantes em nossa cidade. Piracaia já sofreu o bastante com a instalação da represa, por parte da Sabesp, que até hoje não cumpre seu contrato, cobrando indevidamente de toda a população o tratamento de esgoto. Hoje qual é o real investimento da Sabesp em Piracaia? Abastecemos o coração do país que é a cidade de São Paulo e não recebemos nada em troca... Da mesma forma, o Gasoduto foi instalado no município e a Petrobrás nos deu às costas. Além disso, temos a Copel que irá instalar torres de transmissão para levar energia a Araraquara e qual será a nossa compensação? Está na hora de dar um basta. Precisamos de atenção!” desabafou. 
Após o inflamado discurso, os presentes apresentaram suas reivindicações demonstrando corroborar com o pronunciamento do presidente, no que tange a falta de investimentos em Piracaia.
“A oportunidade de desenvolvermos projetos que beneficiarão diretamente a comunidade e colaborarão para a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente, é muito interessante. Porém, não podemos desenvolver um projeto exclusivamente para Piracaia. O nosso trabalho é de âmbito regional, mas levaremos as reivindicações aos setores competentes”, afirmaram os representantes da Transpetro - Petrobrás.


Mais sobre o PEA-GASCAR


O Gasoduto Campinas-RIO tem uma extensão aproximada de 448 km, sendo 267 km em municípios do estado de São Paulo e 181 km em municípios do estado do Rio de Janeiro. O Programa de Educação Ambiental é uma condicionante do licenciamento ambiental do Gascar. Para sua realização, foi contratada, mediante licitação pública, a empresa Katu Gente & Ambiente, especializada em questões socioambientais e de desenvolvimento. 
Este programa segue todas as orientações do IBAMA e as mais recentes discussões teórico-metodológicas no campo da Educação Ambiental, partindo de uma abordagem participativa, crítica e transformadora. Suas ações visam à construção coletiva de soluções para o desenvolvimento sustentáveis e redução de vulnerabilidades na região, além de favorecer uma gestão ambiental pública mais integrada.  O início dos trabalhos ocorreu neste ano, através de diagnóstico realizado nos 33 municípios contemplados no PEA-GASCAR. A partir do diagnóstico, os municípios foram agrupados em quatro regiões, de acordo com o perfil e características socioambientais.