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Instalações de linhas de transmissão preocupam piracaienses
30/09/2011



A Audiência Pública realizada pela empresa Copel – Companhia Paranaense de Energia, nessa última quarta-feira (28) nas dependências da Câmara Municipal, gerou polêmica no município. A notícia das instalações de linhas de transmissão Araraquara II – Taubaté não foi bem recebida pelos piracaienses. Apesar da compensação financeira, oferecida aos proprietários dos terrenos atingidos pela rota, a população demonstrou-se preocupada com os impactos ambientais, históricos e turísticos do município.

Cerca de 30 pessoas participaram da reunião, entre elas: o presidente da Câmara Prof. Wanderley de Oliveira (DEM), os vereadores Dr. José Roberto da Silva “Dedé” (PCdoB) e Edmilson Armellei (PP), o Diretor do Departamento de Cultura e Turismo, Prof. David Carvalho, representantes da sociedade civil, além dos representantes técnicos da estatal paranaense.

Na reunião, a população manifestou-se no sentido de que seja modificado o traçado da linha de transmissão de energia da Copel. Conforme os comentários, o trajeto aéreo proposto para a passagem da fiação da linha de transmissão de energia, descaracterizará o paisagismo natural e ecológico não só de Piracaia, mas de toda região.

De acordo com as manifestações, a população não é contra a instalação do empreendimento da companhia, mas os impactos ambientais, turísticos e históricos serão incalculáveis. A população entende que os estudos ambientais não foram feitos de forma minuciosa e confiável. “Não recebi nenhuma notificação sobre estudos realizados em minha propriedade. Como posso confiar naquilo que sequer foi formalizado? Os pesquisadores literalmente invadiram nossas terras, avaliaram nossa fauna e flora, e não nos deram explicações?” – indagou o munícipe Felipe Cunha.

Respondendo a indagação de Felipe, a equipe da Copel informou que o serviço de pesquisa é efetuado por uma empresa terceirizada. Admitiu ainda, que a “falha” por parte da empresa pesquisadora é reincidente. “Também estamos com esse problema em outras cidades, mas estamos tentando regularizar essa situação”, justificaram. 

Representantes dos bairros e do setor de turismo da região também reclamaram da anunciada obra: “A poluição visual gerada pela passagem da fiação sobre Piracaia prejudicará a beleza natural do município, o que pode enterrar de vez o ecoturismo da cidade”, disse a advogada Maria Margarida Patrício.

“Vim para Piracaia para poder desfrutar de uma vida mais saudável e apreciar a natureza... Hoje, me deparo com a notícia de que o município será transformado num local repleto de antenas! No Brasil, cada dia que acordamos nos deparamos com uma vergonha a mais, imposta pelas autoridades... Não devemos nos preocupar apenas com o aspecto físico! É claro que o impacto visual será berrante. Mas, estudos internacionais revelam problemas relacionados à Saúde. Infelizmente, aqui no país não há nenhuma preocupação com os efeitos das radiações dessas linhas. Nossas autoridades não parecem dar muita atenção a esse tipo de problema”, retrucou o biólogo R. Luís.


O que dizem os vereadores


“Mesmo que este traçado preencha os requisitos da viabilidade econômica do projeto, prejudicará essencialmente nossa fauna e flora. Nossa cidade está inserida numa APA (Área de Preservação Ambiental) e em uma APP (Área de Preservação Permanente). Como a Cetesb pôde liberar essa obra se estamos em uma área protegida?”, questiona o presidente da Câmara, Prof. Wanderley.

O vereador Edmilson Armellei (PP) ressaltou que toda região será impactada se o projeto for concluído. “A alternativa que hoje insistem vai trazer prejuízo para toda a região. A perda e desvalorização serão enormes, acabando com os pontos turísticos. Depois de danificado, não tem como reconstituir. Temos que nos mobilizar para que busquem alternativas enquanto há tempo”, reivindica o vereador.

Nessa última sexta-feira (30), os vereadores protocolaram requerimentos solicitando ao Executivo cópias de todos os documentos encaminhados a Copel para fins de autorização das instalações das torres de linhas de transmissão no munícipio.


O que diz a prefeita


 “Não vamos mais aceitar que empreendimentos deste tipo sejam alocados em nosso município sem sermos ouvidos e respeitados. Temos os exemplos da implantação das represas em Piracaia, onde famílias inteiras tiveram suas terras desapropriadas a preços muito abaixo do que as terras valiam, e essa foi a única recompensa que o município obteve. São mais de 3 décadas amargando as limitações, econômicas principalmente, que  o sistema Cantareira nos impôs. Temos também o exemplo da passagem de uma rede de energia pela marginal que leva energia para Joanópolis, não tivemos ao menos a iluminação instalada no trecho por onde passa a rede, ou seja, mais uma vez o município saiu perdendo”, afirmou a prefeita Fabiane Santiago (PV).

Conforme a prefeita, nessa próxima segunda-feira (3) a Prefeitura protocolará um oficio no Consema ( Conselho Estadual de Meio Ambiente) solicitando uma Audiência Pública em Piracaia, pois não consta nos planos da empresa. A Audiência mais próxima ocorrerá em Bragança Paulista, mas ainda está sem data marcada.


Invisíveis aos olhos


Há de se lembrar que as torres causam uma elevada criação de campos magnéticos, o que aumenta a incidência de raios. Além disso, a desvalorização dos imóveis é um relevante fator que preocupa os proprietários.
Os efeitos à saúde humana da exposição a campos eletromagnéticos de linhas de transmissão de energia elétrica ainda não são totalmente conhecidos, uma vez que os resultados de estudos científicos sobre o assunto são conflitantes. Algumas pesquisas apontam que tal exposição poderia causar doenças como distúrbios neurodegenerativos, problemas cardíacos e câncer. 
A leucemia em crianças é uma das fontes de preocupação, devido ao número de evidências que atribuem, como uma de suas causas, a proximidade das residências de pacientes com as linhas de transmissão.
Pesquisas também apontam impactos ambientais, e em alguns casos geram a infertilização da terra, onde plantas não crescem, frutas ficam bichadas e animais adoecem com muita facilidade. São em geral lugares próximos a fios de alta tensão ou de torres transmissoras. Há estudos no país, inclusive na Serra da Cantareira, sobre a influência nociva de antenas transmissoras na fauna e na flora. Já se constatou que interferem no metabolismo dos animais e, sem dúvida, a flora também é atingida, mas ainda não se sabe quanto.


O Empreendimento


A implantação da linha de transmissão Araraquara II – Taubaté, em 500 kV, destina-se ao aumento da disponibilidade de energia na região sudeste do Brasil. Essa linha de transmissão atravessará 28 municípios paulistas.
Este empreendimento reforçará o Sistema Interligado Nacional, interligando a Subestação Araraquara II – onde chegará principalmente a energia produzida no Complexo Hidroelétrico do Rio Madeira, no estado do Amazonas – aos principais centros de carga da região sudeste, ou seja, São Paulo e Rio de Janeiro.

Essa linha de transmissão faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, que o Governo Federal criou para impulsionar as obras que são fundamentais para o país.