O Legislativo perto de você


Reforma da Praça: vereadores questionam paralisação da obra
11/11/2010

A Praça Nossa Senhora do Rosário, que sempre foi um cartão postal do município, encontra-se desamparada.  Há cerca de quatro meses os trabalhos de revitalização – orçados em cerca de R$ 130 mil – foram suspensos e ninguém sabe ao certo o que de fato originou a paralisação.  Desde que iniciaram os trabalhos, em meados de julho, muitas polêmicas envolvendo o andamento da obra vieram à tona, mobilizando a opinião pública e induzindo sucessivos questionamentos e críticas dos vereadores ao Poder Executivo. 

A série dos impasses que envolvem a revitalização da Praça Nossa Senhora do Rosário iniciou-se com o repentino anúncio da obra às vésperas das festividades juninas e do aniversário do município, que são tradicionalmente realizadas nos espaços da Praça.  A princípio a população temia pela descaracterização do local, pois não houve iniciativa do Poder Executivo em apresentar ao público, por meio de exposição, uma reprodução do esboço ou da maquete do projeto elaborado.   


A derrubada do coreto


Após serem questionados pela população, os vereadores requereram cópia do projeto a fim de tomarem conhecimento sobre o que de fato seria realizado na Praça. Conforme a resposta do requerimento encaminhada ao vereador Dr. Luiz Henrique Bueno (DEM), a população pôde ser confortada com a notícia de que – de acordo com a planta – o projeto vislumbrava apenas a redução e a manutenção dos canteiros centrais, manutenções nas estruturas do piso, trocas das luminárias, bem como a recuperação do coreto situado no centro da Praça.


No entanto, a permanência do coreto não passou dos planos colocados no papel. Afinal, não demorou muito para que o coreto fosse demolido, contrariando a planta do projeto elaborada pela Assessora de Planejamento da Prefeitura, a arquiteta Daniela F. Dimauro, e ignorando por completo a proposta que já havia sido encaminhada à Caixa Econômica Federal, vez que se trata de obra patrocinada pelo Ministério da Cultura, por meio de emenda parlamentar.


Livros abandonados


A confusão gerada pela incompreensível demolição trouxe à tona uma polêmica ainda maior: centenas de livros da biblioteca municipal foram encontradas abandonadas no piso inferior do coreto – o desativado sanitário público.
Muitos munícipes que passavam pelo local, entre crianças, jovens e até mesmo catadores de papel, ao perceberem o abandono dos livros acabaram se apropriando dos exemplares. A ocasião foi presenciada pelos vereadores Dr. Luiz Henrique (DEM) e Prof. Wanderley (DEM), que foram acionados pela população a fim de socorro.


Queimada de Livros


Após a Prefeitura Municipal ter publicado nota afirmando que poucos exemplares foram recuperados pelo fato dos livros se encontrarem deteriorados por cupins, fedendo mofo e urina de rato, uma filmagem amadora foi publicada na internet (http://www.youtube.com/watch?v=AocDG_l7dCI) revelando que centenas de livros foram ignoradas e queimadas no próprio coreto em praça pública. O vídeo foi exibido na 11ª Sessão Ordinária da Câmara pelo vereador Prof. Wanderley, que lamentou o episódio e teceu críticas ao Executivo por ter se esquivado no resgate dos exemplares sem ao menos ver a possibilidade de restaurá-los. 


Paralisação da Obra


Desde que o coreto foi derrubado e aterrado, há cerca de quatro meses, a obra encontra-se paralisada e mobilizando a opinião pública. Alguns vereadores já procuraram saber o real motivo da paralisação, porém há muitos impasses nas informações cedidas aos parlamentares. Tanto que na 15ª Sessão Ordinária, o vereador e presidente da Câmara, Silvino Dentista (PSDB), exibiu em telão a resposta encaminhada pelo Executivo, datado em 13 de outubro, que informava que um novo projeto ainda estava em fase de elaboração pelo Departamento de Obras e que posteriormente o mesmo seria encaminhado à Caixa Econômica Federal na expectativa de aprovação. A resposta também responsabilizava a senhora prefeita, Fabiane Santiago (PV), pela derrubada do coreto, afirmando que após ter realizado consulta popular optou pela remoção do patrimônio. O documento revelava ainda que nenhum pagamento foi efetuado pela Caixa Econômica Federal até aquela data. Tais informações geraram polêmica na Sessão de Câmara não apenas pela paralisação da obra, mas por todas as ambíguas e desencontradas informações repassadas aos parlamentares e à população em geral. “Não me lembro da Prefeitura ter realizado plebiscito sobre a derrubada ou a permanência do coreto. Isso é um absurdo, a cada momento temos uma informação diferente e alucinada sobre o assunto” – disparou o vereador Silvino.


Árvores caindo, animais pastando


Com a extensiva paralisação da obra, está se tornando comum a presença de cavalos amarrados nos troncos das árvores. Além disso, pode se notar que após a remoção dos canteiros – que auxiliavam na sustentação das centenárias árvores – somados com o corte das raízes (http://www.youtube.com/watch?v=Ko01E222Ec4), algumas delas já estão caindo e colocando em risco a integridade física das pessoas que trafegam pelo local. 


Segundo informações do Diretor do Departamento de Obras da Prefeitura, o engenheiro Luiz H. de Castro Valente, no início dessa semana o processo de adequação e reprogramação da obra finalmente foi entregue à Caixa Econômica. Agora, a Prefeitura está no aguardo da aprovação para a liberação da verba e prosseguimento na obra. 

A Praça Nossa Senhora do Rosário antes das obras