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Sabesp alerta para nível máximo de represas
12/01/2010

Alagamento em Atibaia - Foto: Câmara Municipal de Atibaia  Reprodução Vanguarda TV   

Sistema Cantareira está próximo do nível de transbordamento. Prefeituras devem ficar atentas para retirar moradores de área de várzea.


A Sabesp e a Defesa Civil Estadual alertaram aos municípios cortados pelos rios que formam as quatro represas do Sistema Cantareira (Jaguari, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro) que esses reservatórios estão próximos dos seus limites de capacidade e que, caso as chuvas continuem nos próximos dias, elas deixarão de segurar a água por atingirem o nível de vertedouro. Isso significaria que a água não seria mais represada, aumentando o nível dos rios podendo provocar mais enchentes nas áreas de várzeas dos rios.  Na última sexta-feira (8), representantes da Sabesp e da Defesa Civil se reuniram com autoridades e representantes dessas cidades em Bragança Paulista, para que as Prefeituras estejam prontas para retirar as populações que moram próximas aos rios. A reunião contou, inclusive, com as presenças do governador José Serra (PSDB) e do vice-governador, Alberto Goldman.

“A situação das represas do Sistema Cantareira está próxima do vertedouro. Hoje, elas têm uma função importante de segurar boa parte da água, senão haveria inundação. A Sabesp controlará ao máximo o volume dos reservatórios  para evitar ter de jogar água nos rios, mas chegará um momento em que a água atingirá o nível do vertedouro e não será mais possível represá-la”, diz o superintendente de produção de água da Sabesp, Hélio Luiz Castro.

Se a previsão do tempo se concretizar e fortes chuvas continuarem atingindo São Paulo ainda nesta semana, as regiões ribeirinhas das cidades de Atibaia, Piracaia e Bom Jesus dos Perdões vão sofrer com alagamentos. De acordo com relatório da Sabesp,  o Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de água da região metropolitana, opera no limite - com 97,5% da capacidade total de armazenamento. Com novas tormentas, o reservatório deixará de segurar a água, aumentando drasticamente o nível dos rios e provocando enchentes.

"Desde 1999 não temos uma situação como esta", disse Hélio Castro, superintendente de Produção de Água da Sabesp. Segundo ele, as Represas Paiva Castro, Cachoeira e Atibainha estão acima dos níveis de segurança. "É como uma caixa-d’água. Se entra mais água do que sai, ela vai acabar transbordando. Já foi feito trabalho com às comunidades que vivem às margens das represas. O Sistema Cantareira é extremamente importante, mas ele tem um limite para acumular a água das chuvas. Se na quarta-feira voltar a chover, provavelmente na semana que vem as cidades de Atibaia, Piracaia e Bom Jesus dos Perdões devem sofrer com alagamentos."

A situação de emergência, no entanto, não é exclusividade do Sistema Cantareira. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), mais da metade dos reservatórios do País está com comportas abertas por causa do excesso de água armazenada.
De acordo com o registro da Sabesp, o índice de chuva acumulado em janeiro é de 149,6 milímetros (cada mm equivale a um litro de água por metro quadrado), sendo que a média história deste mês é de 255,9 mm. Para se ter uma ideia desse volume das chuvas, a Represa Atibainha chegou a receber na semana passada de 33 a 70 metros cúbicos de água por segundo - enquanto isso, a Sabesp só conseguiu fazer o descarregamento de 14 m³ por segundo Essa operação de descarregamento, essencial para a segurança do sistema, é feita com monitoramento diário, tanto das vazões de água como das condições das populações ribeirinhas e jusante das barragens, para evitar enchentes.